Tem coisa que não é só filme… é memória.
Quando eu falo de Mortal Kombat, eu não estou falando só de cinema. Estou falando de uma época. Daquele tempo em que a gente assistia no domingo, depois do almoço, ou quando dava sorte de pegar na Sessão da Tarde, e aquilo já bastava pra fazer o dia valer a pena.
Era simples, direto e marcante.
Agente assistia e depois ia viver aquilo. Ia pra rua, pra casa de amigo, pro videogame… escolher personagem, discutir quem ganhava de quem. E aí entra uma parte que, pra mim, sempre foi essencial: os personagens.Eu sempre gostei de dois em especial: Raiden e Sub-Zero. Não era só pela luta. Era pela presença. O Raiden com aquela autoridade de quem comanda sem esforço, e o Sub-Zero com aquele estilo frio, direto, que já entrava impondo respeito.
E isso vinha tanto dos filmes quanto dos jogos.
Porque Mortal Kombat nunca foi só uma coisa. Era o conjunto. Era você jogar e depois ver aquilo ganhar vida na tela.
Só que o tempo passou… e nem tudo acompanhou.
Depois de Mortal Kombat: Annihilation, que acabou ficando marcado mais como um erro do que como evolução, a franquia ficou anos praticamente esquecida no cinema.
Era como se estivesse devendo uma resposta pra quem cresceu com aquilo. E essa resposta começou a vir com Mortal Kombat.
Eu fui assistir no cinema. Fui com expectativa de quem esperou anos pra ver aquilo voltar.
E saí com um sentimento dividido.
Não era um filme ruim. Visualmente bem feito, boas cenas de luta, efeitos modernos… mas faltava algo que não dá pra explicar só com técnica.
Faltava essência.
E o maior erro foi claro: não teve o torneio. Pode parecer detalhe pra quem vê de fora, mas pra quem conhece, isso muda tudo.
O filme ficou preso na preparação, na origem, na construção… e não entregou o principal. Era como assistir um começo que nunca chega no meio.
Alguns pontos se salvaram, principalmente o Sub-Zero, que teve presença forte e praticamente carregou o filme em vários momentos. Mas outros ficaram devendo — e muito. O Raiden, por exemplo, apareceu sem o peso que o personagem exige.
Ficou faltando impacto. Faltou aquela sensação de “isso aqui é Mortal Kombat”.
Agora chega 2026.
E com ele vem Mortal Kombat 2, que estreia nesta quinta-feira, dia 7. E aqui a conversa precisa ser outra.
Porque não é um novo começo. É continuação direta.
Ou seja: não dá mais pra errar no básico.
E, pelo que já se apresenta, parece que entenderam isso.
Agora tem torneio.
E isso não é só uma mudança — é uma correção. O torneio é o coração da história. É o que dá sentido às lutas, é o que cria tensão, é o que faz cada combate importar de verdade.
Além disso, o filme amplia o universo com nomes que fazem diferença. A chegada de Shao Kahn coloca um nível de ameaça que o filme anterior não conseguiu construir. Agora existe risco real, existe peso nas consequências.
Tem também a entrada de Johnny Cage, interpretado por Karl Urban, que já mostra uma tentativa mais clara de se aproximar do que os fãs conhecem dos jogos.
E falando em jogos… é impossível não trazer isso pra conversa.
Porque muita da emoção que a gente carrega vem dali. Do controle na mão, da escolha de personagem, das disputas com amigos. E o filme de 2021 até tentou resgatar isso, mas ficou no meio do caminho.
Agora, a promessa é de mais fidelidade. Mais violência, mais identidade, mais respeito ao que fez a franquia crescer.
Mas aqui vai o ponto mais sincero de todos: não adianta esperar sentir exatamente o que você sentia nos anos 90.
Aquilo não era só o filme. Era a época. Era o momento. Era você vivendo aquilo pela primeira vez.
O que dá pra esperar agora é outra coisa.Um filme mais completo. Mais próximo do que deveria ter sido desde o início. Um Mortal Kombat que finalmente entende o que representa.
Melhor que o de 2021? Tudo indica que sim.
Mais fiel? Também. Agora, se vai marcar como marcou lá atrás… isso só o tempo vai dizer.
Então, pra quem, como eu, cresceu assistindo, jogando e vivendo Mortal Kombat, o recado é simples:
vale a pena ir ao cinema.
Mas vá consciente.
Não pra reviver o passado…mas pra ver se, depois de tantos anos, a franquia finalmente encontrou o caminho certo.
FONTE: ANDRADINA NOTÍCIAS.

