Saindo agora do lado profissional e falando de forma pessoal, preciso ser justo: o evento, em si, foi bem organizado. Nesse aspecto, não há o que reclamar. Porém, existe um ponto que não pode ser ignorado: a falta de união. O que se viu foi uma baixa participação da própria comunidade evangélica em um evento que, em tese, era voltado para ela.E aqui é importante deixar algo claro: não se trata de dizer que o evento estava vazio.
A praça estava razoavelmente cheia, sem cadeiras vazias, com público presente. Mas a questão não é essa.O que faltou foi, justamente, o público evangélico.Em um evento pensado para essa comunidade, o que se esperava era ver uma presença mais expressiva, mais participativa, mais engajada. O público estava lá, mas não necessariamente representava, em sua maioria, a comunidade para a qual o evento foi idealizado. Fica o questionamento: onde estava esse público?
Em grande parte, estavam presentes apenas pessoas envolvidas nas apresentações, além de amigos e familiares. A adesão da comunidade poderia — e deveria — ter sido maior.Sabemos que existe um conselho de pastores e líderes evangélicos em Andradina, e que o evento foi divulgado nas redes oficiais do município. Ainda assim, a participação foi limitada. Isso leva a uma reflexão importante: onde está a união que tanto é pregada?
Não se trata de responsabilizar A ou B, mas de reconhecer que faltou engajamento coletivo. Quando se fala em representatividade — seja na política, nas igrejas ou em qualquer outro espaço — é essencial que essa união também se reflita em momentos como esse. Quando se fala em política, essa união aparece. A gente vê isso em período eleitoral. A comunidade se une, como vimos nos últimos anos, em mobilizações e em apoio a determinados nomes, elegendo presidente, governador, deputados, senadores e até mesmo prefeitos e vereadores.
Mas cadê essa união dentro da própria comunidade evangélica, em torno de algo que é, principalmente, para eles? Uma classe que já sofreu tanto, e que em poucas cidades tem leis próprias regulamentando essas ações.Será que essa união só aparece na época política, para eleger este ou aquele candidato? Se houver união, qualquer evento lota. Ou será que só se pode ir a esses eventos quando há nomes de renome nacional? Aí sim lota, não tem espaço.
E depois, vão para as redes sociais atacar este ou aquele, procurando culpados. Se houver interesse, a comunidade se organiza e participa.Essa é uma opinião pessoal, baseada no que observei. Mas é um ponto que precisa ser pensado: sem união, dificilmente se alcança a força que se busca.Outro ponto importante que precisa ser observado é que, em Andradina, existe uma lei desde 2005 — sancionada na época pelo então prefeito Ernesto Antônio da Silva — que institui a comemoração do Dia do Evangélico no município, realizada no primeiro sábado do mês de julho. Neste ano, a data cairá nos dias 3 e 4 de julho.
Ou seja, não se trata de algo recente. É uma data oficial, instituída e regulamentada, que ao longo dos anos passou por atualizações. Agora, é importante observar o que diz a legislação sobre esse evento. A Lei nº 2.192/2005, sancionada pelo então prefeito Ernesto Antônio da Silva, estabelece que fica instituída no Município de Andradina a Feira dos Evangélicos, a ser realizada anualmente no Dia do Evangélico. Já a Lei nº 4.103, de 22 de agosto de 2023, sancionada pelo prefeito Mário Celso Lopes, promove alterações nas Leis Municipais nº 2.149/2005, 2.192/2005 e 2.343/2007 — todas do período da gestão de Ernesto Antônio da Silva — que tratam, respectivamente, do Dia do Evangélico, da Feira dos Evangélicos e da Semana de Celebração da Cultura e dos Movimentos Evangélicos.De acordo com a legislação atualizada:O Art. 1º determina que o Dia do Evangélico passe a integrar o Calendário Oficial de Eventos do Município.
O Art. 2º mantém a realização anual da Feira dos Evangélicos no primeiro sábado do mês de julho e acrescenta que o evento poderá ocorrer em dois dias consecutivos, incluindo a sexta-feira anterior. Art. 3º institui a Semana de Celebração da Cultura e dos Movimentos Evangélicos, a ser realizada na mesma semana do Dia do Evangélico. Art. 4º estabelece que a lei entra em vigor na data de sua publicação. Ou seja, trata-se de uma estrutura legal consolidada ao longo dos anos, que não apenas reconhece a data, mas também organiza e incentiva uma programação mais ampla.
Diante disso, fica o questionamento: esse momento de união e confraternização entre os irmãos em Cristo está acontecendo apenas nessa data? Será que a comunidade só se mobiliza de forma mais forte no Dia do Evangélico? É apenas nesse momento que vemos uma praça cheia e uma participação mais expressiva do público cristão? Fica essa reflexão.Peço desculpas à comunidade cristã caso alguém tenha se sentido ofendido. Sei que críticas vão surgir — isso é natural. Mas deixo claro: não retiro uma vírgula do que falei.Não estou responsabilizando ninguém em específico. O que trago é uma reflexão sobre a falta de união — algo que, na minha visão, precisa ser melhorado. Falo com propriedade, porque sou cristão, fui evangélico por mais de dez anos e frequentei igreja aqui na cidade. Hoje estou afastado, mas ainda tenho muitos amigos dentro da comunidade. Sei que muitos não vão concordar comigo — e está tudo bem. Essa é a minha opinião; não é uma verdade absoluta, nem representa o pensamento de todos. Cada pessoa tem o direito de pensar, agir e se expressar.
A própria Constituição garante a liberdade de expressão e de opinião. O que lamento é que, muitas vezes, esse direito não é bem utilizado. Há quem não saiba usá-lo e há também quem o utilize de má-fé contra os outros. Reforço: minha fala não é um ataque, é uma reflexão. E, acima de tudo, continuo defendendo aquilo que acredito que faz falta: mais união.
FONTE: ANDRADINA NOTÍCIAS

