Conheça cada um dos líderes religiosos que apoia os principais Candidatos ao planalto em outubro.
A disputa pela Presidência da República em 2026 começa a ganhar um novo capítulo: a corrida pelo voto evangélico. Com milhões de brasileiros declarando-se pertencentes a alguma denominação evangélica, o segmento passou a ocupar novamente um espaço estratégico na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL).
Mas, ao contrário do que muitas vezes circula nas redes sociais, é preciso separar o apoio individual de pastores e lideranças religiosas de uma eventual posição oficial de suas respectivas igrejas.
Levantamento realizado a partir de manifestações públicas e reportagens recentes mostra que Flávio Bolsonaro conseguiu reunir importantes acenos de lideranças evangélicas, enquanto Lula passou a intensificar a aproximação com pastores, teólogos e movimentos evangélicos progressistas.
Flávio Bolsonaro recebe apoio explícito de Silas Malafaia
Entre os nomes de maior projeção está o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
No dia 16 de agosto, Malafaia publicou um vídeo afirmando que votará em Flávio Bolsonaro para presidente. Segundo o pastor, o senador merece uma oportunidade por ser considerado por ele uma opção nova e por ter aprendido com o pai, Jair Bolsonaro.
O apoio de Malafaia é particularmente relevante pela influência que o pastor exerce dentro do segmento evangélico e por seu histórico de participação no debate político nacional.
José Wellington também recebeu Flávio em culto
Outro nome de grande peso é José Wellington Bezerra da Costa, uma das principais lideranças das Assembleias de Deus Ministério do Belém.
Em abril, Flávio Bolsonaro participou de um culto da denominação e foi recebido no palco por José Wellington, que realizou uma oração pelo senador e pediu que ele fosse conduzido à Presidência da República.
Apesar da cena pública e da oração, é importante fazer uma distinção jornalística: o episódio demonstra uma manifestação favorável da liderança religiosa, mas não equivale, por si só, a uma declaração formal de que toda a denominação Assembleia de Deus apoia Flávio Bolsonaro.
Valdemiro Santiago mantém aproximação, mas não declarou voto
O pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, também recebeu Flávio Bolsonaro em um culto realizado no Dia dos Pais.
Flávio subiu ao palco e falou sobre a importância dos laços familiares. O candidato também divulgou imagens do encontro em suas redes sociais.
Apesar da proximidade, até o levantamento publicado pelo Poder360 não havia uma declaração pública de Valdemiro Santiago anunciando apoio eleitoral a Flávio.
Por isso, o nome do religioso deve ser classificado como aproximação pública, e não como apoio declarado.
André Valadão também aparece nas articulações, mas não declarou apoio
Outro nome conhecido é André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha.
O pastor recebeu Flávio Bolsonaro e sua esposa em um culto realizado em Orlando, nos Estados Unidos, no final de 2025. O casal apareceu recebendo orações do religioso.
Entretanto, quando procurada, a equipe de Valadão informou que não irá se posicionar em relação aos candidatos à Presidência.
Assim, também não seria correto classificá-lo como apoiador declarado de Flávio.
Do outro lado, Lula busca recuperar espaço entre os evangélicos
Enquanto Flávio Bolsonaro apresenta vantagem nas pesquisas entre os eleitores evangélicos, Lula tenta ampliar sua interlocução com o segmento.
Um dos nomes que mais se aproximaram publicamente do presidente é o pastor Henrique Vieira, deputado federal pelo PSOL.
Em 17 de agosto, Vieira publicou uma fotografia ao lado de Lula acompanhada de uma mensagem em defesa do governo, da democracia e da soberania nacional. O queclassificou o gesto como apoio explícito ao presidente.
Vieira é ligado à Igreja Batista do Caminho, e sua manifestação deve ser entendida como uma posição política pessoal, não como uma declaração oficial de toda a denominação batista.
Outro nome que ganhou destaque é o pastor e cantor gospel Kleber Lucas.
Durante o lançamento da campanha de Lula à reeleição, realizado em São Bernardo do Campo, Kleber participou da programação ao lado da primeira-dama Janja e cantou para o presidente.
O episódio marcou uma tentativa de aproximação do governo com o eleitorado evangélico e colocou novamente o cantor no centro do debate político-religioso.
Kleber também é candidato a suplente na chapa de Benedita da Silva ao Senado pelo PT, reforçando que sua aproximação com o campo petista não é apenas religiosa, mas também política.
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declara apoio a Lula
A movimentação mais recente ocorreu nesta quarta-feira (26).
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, formada por pastores e teólogos de diferentes regiões do país, divulgou uma carta aberta declarando apoio à reeleição de Lula.
O documento também faz críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro e afirma que a decisão do grupo está relacionada à defesa da democracia, das instituições, da Constituição e dos direitos fundamentais.
A Frente, entretanto, afirma que seu apoio eleitoral não representa adesão irrestrita ao governo e que pretende manter autonomia e capacidade de diálogo.
Ariovaldo Ramos é uma das principais lideranças do movimento
Entre os nomes ligados à Frente está o pastor Ariovaldo Ramos, uma das principais lideranças do movimento.
Antes da declaração oficial divulgada nesta quarta-feira, Ramos já havia demonstrado proximidade política com Lula.
Em 2019, publicou uma carta em defesa do presidente.Com a nova manifestação da Frente, o nome de Ariovaldo passa a ganhar ainda mais relevância na articulação do campo evangélico progressista.
Otoni de Paula: um caso diferente
Outro caso que merece atenção é o do pastor e deputado federal Otoni de Paula.
O parlamentar, que já esteve politicamente próximo de Jair Bolsonaro, declarou que não votará em Flávio Bolsonaro para presidente.
No primeiro turno, Otoni afirma apoiar Ronaldo Caiado. Porém, caso a disputa do segundo turno seja entre Flávio e Lula, o deputado defende a construção de um movimento chamado de “direita com Lula”.
O posicionamento mostra que a disputa dentro do segmento evangélico não pode ser resumida simplesmente à divisão entre esquerda e direita.
O peso do eleitorado evangélico A disputa não acontece por acaso.
Segundo levantamento do PoderData realizado em 13 de agosto, 51% dos eleitores evangélicos declararam intenção de votar em Flávio Bolsonaro, contra 27% em Lula.
O Datafolha também apontou vantagem expressiva de Flávio entre os evangélicos em um eventual segundo turno: 62% contra 29% de Lula. No conjunto da população, entretanto, o cenário é diferente, com Lula aparecendo à frente.
Os números ajudam a explicar por que os dois principais candidatos estão tentando ampliar sua presença junto às igrejas e às lideranças religiosas.
Apoio de pastor não significa voto de toda a igreja
O cenário eleitoral de 2026 também deixa uma lição importante.
Uma oração, uma fotografia ao lado de um candidato, uma participação em culto ou uma aproximação política não necessariamente representa apoio eleitoral formal.
Da mesma maneira, o apoio de um pastor não significa que todos os fiéis de sua igreja votarão no candidato indicado.
É justamente por isso que, neste levantamento, os nomes foram separados entre apoio declarado, manifestação favorável, aproximação pública e ausência de declaração eleitoral.
A disputa está apenas começando
A campanha de Flávio Bolsonaro tem encontrado terreno fértil entre setores do eleitorado evangélico, enquanto Lula tenta reduzir essa vantagem aproximando-se de pastores, artistas gospel e movimentos evangélicos progressistas.
O cenário, entretanto, ainda está em formação.
O que parece claro neste momento é que o voto evangélico será um dos campos mais disputados da eleição presidencial de 2026.
E, ao contrário de eleições anteriores, a disputa não se resume a saber qual candidato terá mais pastores ao seu lado.
O verdadeiro desafio será transformar o apoio de determinadas lideranças em votos efetivos nas urnas.
FONTE: ANDRADINA NOTÍCIAS

