Futuro da Casa de Cultura Cora Coralina permanece incerto

Entre progresso e preservação, destino de espaço cultural gera questionamentos em Andradina

Na tarde de ontem, o Governo Municipal confirmou que o prédio do antigo Cine Capri vai se tornar um auditório totalmente reformado, com capacidade para cerca de 1.000 pessoas. Há cerca de 15 dias, o governo municipal decretou a desapropriação do prédio do antigo Cine Capri. Porém, ao mesmo tempo, a Prefeitura também havia anunciado, no início do ano, que pretendia dar um novo destino ao espaço da Casa de Cultura, localizado na esquina da Rua José Bonifácio com a Rua São Paulo, onde funcionava o prédio da antiga Cozinha Piloto — já demolido e que se encontrava abandonado.

Após muitas críticas e cobranças na Câmara Municipal de Andradina, foi decidido que o espaço se tornaria um complexo da Secretaria Municipal de Educação, onde seria construído um novo almoxarifado para abrigar materiais da pasta e, principalmente, um novo auditório, que receberia o nome da poetisa Cora Coralina.Sendo assim, mesmo com a demolição da Casa de Cultura, o nome “Cora Coralina” permaneceria. Porém, como todos sabem, aquele prédio carrega uma enorme história e muitas memórias. Este repórter, inclusive, recorda que, ainda criança, realizou ali sua formatura da pré-escola — e certamente não é o único. Muitas outras crianças participaram de apresentações e atividades no local.

O espaço já serviu como ponto de cultura em administrações passadas, com aulas de dança, atividades culturais e também abrigou a Academia Andradinense de Letras. Durante a pandemia, serviu como abrigo para moradores em situação de rua. Desde então, o prédio permanece fechado, necessitando de reforma e adequações por se tratar de uma estrutura antiga. Havia comentários e especulações sobre uma possível revitalização, mas nada chegou a ser confirmado oficialmente.

Visando a preservação do patrimônio público, a vereadora Elaine Vogel apresentou um requerimento solicitando o tombamento do espaço como patrimônio cultural do município de Andradina.Vale destacar que a vereadora também conseguiu recentemente o tombamento da tradicional Bon Odori, festa da colônia japonesa. Com isso, o evento passou a ser reconhecido como patrimônio histórico do município. O projeto, assim como o atual, também enfrentou dificuldades no início até ser aprovado, mas, ao final, a tradição foi mantida graças à atuação da vereadora.

O projeto da Casa de Cultura entrou em pauta na 13ª sessão ordinária, realizada no dia 27 de abril, e teve 7 votos contrários e 6 favoráveis. Com isso, deveria seguir para segunda discussão na 14ª sessão, realizada no dia 4 de maio. No entanto, ao entrar na ordem do dia, o presidente da mesa informou que, por ter sido rejeitado na primeira votação, o projeto seria arquivado e não retornaria para nova votação.

Agora, fica o questionamento: com a criação de um novo auditório para mil pessoas no antigo Cine Capri — algo que o município realmente não possui hoje —, ainda há necessidade de demolir um prédio histórico?Atualmente, Andradina conta com o teatro do Centro Cultural, com capacidade aproximada de 500 pessoas (ou até menos). Em muitos casos, para eventos maiores, é necessário utilizar o plenário da Câmara ou alugar espaços, gerando custos aos cofres públicos.

Diante disso, surge o debate: seria realmente necessária a demolição da Casa de Cultura ou seria possível investir em sua reforma e reabertura para uso da população?Até o momento, não houve posicionamento oficial detalhado da vereadora nem do Governo Municipal. A reportagem irá buscar contato com ambas as partes para trazer suas versões sobre o caso.

FONTE: ANDRADINA NOTÍCIAS

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