Glauce Cavalli assume comando da PM de São Paulo e simboliza avanço histórico das mulheres na corporação

Primeira mulher a liderar a instituição, coronel chega ao cargo em meio a mudanças na cúpula e após décadas de conquistas femininas na Polícia Militar Paulista.

O governador Tarcísio de Freitas oficializou, nesta quinta-feira (16), a troca no comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A coronel Glauce Anselmo Cavalli foi nomeada comandante-geral da corporação, tornando-se a primeira mulher a ocupar o posto em toda a história da instituição.

A decisão inclui a exoneração do então comandante-geral, José Augusto Coutinho, e do subcomandante, Erick Gomes Bento. Para a função de subcomandante, foi nomeado o coronel Mario Kitsuwa.

A mudança ocorre em um momento delicado para a segurança pública paulista, marcado por casos recentes de grande repercussão. Entre eles, a morte da soldado Gisele Alves Santana, em fevereiro, e o caso de Thawanna Salmázio, atingida durante uma ação policial na periferia da capital em abril.

Nos bastidores, a troca é atribuída a um conjunto de fatores, incluindo avaliações internas da Secretaria da Segurança Pública, insatisfações com a estrutura da corporação e demandas operacionais. O desgaste provocado por episódios recentes também teria influenciado a decisão.

Além do impacto institucional, a nomeação de Glauce Cavalli representa um marco histórico para a presença feminina na Polícia Militar paulista. O momento é visto como resultado de uma trajetória iniciada há mais de sete décadas, quando foi criada a Polícia Feminina no estado, em 1955.

Um relato de uma tenente-coronel veterana da corporação, que ingressou na Academia do Barro Branco junto com a nova comandante na década de 1990, ajuda a dimensionar essa evolução. Segundo a oficial, Glauce iniciou sua formação em 1993, precisando refazer parte do curso no ano seguinte após a maternidade — um exemplo das dificuldades enfrentadas por mulheres na época.

A veterana destaca que, ao longo dos anos, as policiais militares conquistaram uma série de avanços importantes. Entre eles, mudanças em regras internas, ampliação de direitos como a licença-maternidade e, principalmente, a possibilidade de atuar em todas as funções da corporação — incluindo o comando de unidades operacionais.

Outro ponto considerado decisivo foi a unificação dos quadros de oficiais, que deixou de separar homens e mulheres. Essa mudança permitiu que policiais femininas passassem a disputar os cargos mais altos da hierarquia em igualdade formal, abrindo caminho para que, agora, uma mulher chegasse ao comando-geral.

No relato, a oficial também ressalta o perfil de Glauce Cavalli, descrita como uma profissional experiente, com especialização na área financeira, além de qualidades como inteligência, dedicação e sensibilidade no trato com as pessoas.

Embora tenha mencionado preferência por outro nome para o cargo, a coronel Adriana Roledo, a veterana afirma estar confiante com a escolha e considera a nomeação um símbolo de avanço, mérito e justiça dentro da instituição.

A chegada de Glauce ao topo da Polícia Militar é interpretada como o fechamento de um ciclo histórico de 71 anos de transformações e, ao mesmo tempo, o início de uma nova fase. A expectativa agora recai sobre como será sua gestão diante dos desafios operacionais e das cobranças por mudanças na segurança pública paulista.

Fonte: Redação Andradina Notícias

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